E de Extermínio

E de extermínio

Não somente de literatura clássica brasileira viverá o homem. Escritores brasileiros vem conquistando seu espaço na produção de literatura de ficção científica, apesar de ainda ser pouco conhecida e consumida pelos nativos. Algumas editoras independentes estão abrindo cada vez mais espaço para esses novos escritores.

Uma das editoras brasileira que vem abrindo espaço e as portas para novos escritores é a Draco que tem em seu catálogo HQ’s, mangás, literatura infanto juvenil, romances e ficção científica. 

O escritor que venho acompanhando pela Draco é o fluminense Cirilo Lemos, historiador por profissão e escritor por amor à literatura fantástica que publicou dois romances O Alienado (aquie o mais recente E de Extermínio do qual tratarei neste post (aquialém de ter publicado diversos contos e coletâneas como Terra Morta, Menina Bonita Vestida de Entropia, Sherlock Holmes: O Caso do Detetive Morto, A Lua é uma Flor sem Pétalas, Space Opera entre outros. 

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E de Extermínio é o segundo romance do escritor e conta sobre as aventuras da família Trovão. O cenário é o Rio de Janeiro, século XX, Império, dirigíveis por todos os lados na Central do Brasil, robôs ianques, sonhos e freiras armadas. A narrativa gira em torno da relação pai e filho, Jerônimo Trovão, pai e matador; Deuteronômio , filho sedento por novas aventuras com o pai e Levítico, o caçula, o laço forte da família.

O Império parece ruir com a piora na saúde de “Sua Majestade, Dom Pedro Augusto de Saxe e Coburgo, terceiro soberano do Império do Brasil” o que abre uma oportunidade para os norte americanos apoiarem o começo da República no Brasil, mas os monarquistas não estão dispostos a ceder e contarão com a ajuda interesseira da União Soviética.

O início de tudo foi o conto Auto do Extermínio que mostra Jerônimo tendo que lidar os integralistas e a perpétua ajuda da Santa. A Santa é figura imaginada por Jerônimo que o acompanha em toda a sua rede de assassinatos, mostrando a ele os caminhos que deve percorrer e quando fugir da morte.

No romance em si, Jerônimo tem que assumir o compromisso de ser um bom pai para Deuterômio, fazendo com que ele tente fugir das brigas de ideologias governamentais e assassinatos, mas ele acaba se envolvendo em teias ainda mais complexas que envolvem vendas de terras por grileiros e a guerra na baixada fluminense.

Um dos pontos interessantes do livro é seu cenário, que além de ser ambientado em uma realidade alternativa do Rio de Janeiro parte da história se passa em Nova Iguaçu, mostrando um pouco do abandono real sofrido pelos moradores. Cirilo decide tratar sobre o lugar que vive de um jeito que é pouco tratada na literatura em geral. Todos esses aspectos oferecem um caráter único à obra, que foge do simplismo de clichês de literatura fantástica feita por brasileiros.

O livro vem tratando sobre conflitos políticos, marcado por várias referências de conflitos históricos reais, com a presença de figuras importantes no cenário brasileiro como Plínio Salgado, Artur Bernardes e uma referência à Getúlio Vargas. O palco dos eventos não somente abriga esse tipo de referências, como dá espaço para lutas épicas entre homens, mulheres e máquinas.

A característica mais marcante no livro é a narrativa própria que o Cirilo trás em seus escritos, uma forma leve de contar os fatos, uma forma natural e cotidiana aplicando seriedade nas palavras e demonstrando influências de quadrinhos e autores como Neil Gaiman. Seu tipo de narrativa encaixou-se perfeitamente nesse cenário de guerra familiar e política que mescla drama, ação e aventura, além de tornar fácil para o leitor imaginar exatamente o ambiente e o sentimento dos personagens.

Relação familiar é o tópico principal do livro, onde o pai tem que desistir da vida perigosa para em troca oferecer uma melhor à seu filho. Mas e quando o filho já parece ter perdido a fé no pai? E quando mesmo tentando se afastar da vida de matador Jerônimo é perseguido por problemas e alucinações? Como uma família com um passado trágico que tem sobre sua tutela o clone de D. Pedro III pode ter uma rotina normal e calma?

E de extermínio tem uma linguagem simples e atual, toca em questões religiosas, politicas e ideológicas em geral. Fala sobre alucinações hereditárias, profissionais em tortura, super heróis e armas pesadas. Outra característica do livro é conter parágrafos de jornais com notícias sobre a guerra que se desenrola no cenário desse rio de Janeiro paralelo, o que dá mais um toque de realidade na história.

A história é bem completa, nada foi deixado para trás, todos os mistérios são resolvidos, a leitura é bem fluida e a ação das últimas páginas é capaz de prender a respiração do leitor até a chegada da última palavra. Um final de ação para um dos melhores livros de fantasia da temporada.

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